Tento concentrar-me na tela luminosa de meu computador para discernir sobre alguma coisa, qualquer coisa que seja, menos a única coisa que consigo pensar. Lembro-me de algum ditado infame, uma frase de impacto, um trecho de música, mas tudo me leva a um único lugar.
A violência é tão fascinante
Nas noites de frio é melhor nem nascer, nas de calor se escolhe: é matar ou morrer
Ratatatá
e pronto... o único impacto que lembro é assombrado pelo fantasma da morte, o único impacto que lembro na verdade são três: pá, pá, pá (este último mais distante dos outros, já que o segundo pá já garantira o desfecho do serviço). Antes ainda do fim desta estória um fato marcante, se não o maior de todos eles, chama a atenção dessa pobre criatura que vos escreve:
-Me ajuda...
Essas palavras eram previsíveis de serem escutadas da boca de um futuro cadáver
... pelo amor de Deus.
E com este complemento eu me paro a pensar:
Se o amor de Deus esteve com ele o tempo todo e mesmo assim ele preferiu usar drogas, roubar para usar drogas e dever até as cuecas para poder usar dorgas (fato que o levou a estar deitado no asfalto naquele momento), por quê não pedir pelo amor do pó então?
pelo amor do crack?
da maconha?
do restart?
e assim por diante....
O fato é que todo ser humano parece acreditar mais em Deus em seu momento derradeiro, e eu não tiro a razão, afinal a grande maioria da população credita em uma "força maior". Mas por quê não acreditar em Deus a todos os instantes e pedir pelo seu amor todos os dias?
A estória acaba assim.
A história conta que um rapaz foi morto por volta das 16:15h na rua Florianópolis, próximo à Vala do Leão, no bairro Mathias em Canoas, com 3 tiros a queima roupa disparados por um suspeito não-identificado de dentro de um automóvel, sob a presença de populares. A vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Pronto Socorro de Canoas dep. Nelson Marchesan Júnior onde foi constatado o óbito. O inquérito policial instaurado aponta que o crime foi cometido por traficantes locais devido à divídas com entorpecentes.
Sabe o que muda nas duas?
Na primeira um pobre coitado foi morto.
Na segunda foi um "filho da puta de um desses marginais, e tem mais que matar todos mesmo".
Fiquei pensando que a banalização da vida humana era demostrada pelos assassinos do rapaz, mas o que dizer de quem me fez aquele comentário?
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